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Nicholas é um aluno entusiasmado das aulas de inglês no colégio. E, em casa, fica cantando as músicas. Uma das que ele mais gosta de repetir é sobre as casas e suas cores, em forma de diálogo e, claro, faz questão da nossa participação. “It’s a red house. A red house?…”

Ler o livro Família Alegria, da Cristina Villaça, que é repleto de ilustrações de casas, foi uma alegria – com direito a trocadilho. Tem casa de passarinho, casa de tatu, casa de peixe e até casa de siri. Ah, e claro, tem o caracol que carrega sua casa nas costas, de lá pra cá. Pois Nicholas ia ouvindo a história e fazendo associações, numa mistura de inglês-português perfeita para quem acredita que história boa não tem idioma: “Mamãe, it’s a red house? Não! It’s a green house”. “E essa, Nicholas?”, eu ia instigando. “Essa é uma bird house, mamãe.”

E tem casa de gente, onde moram o Nuno e a Nina, a mãe e o pai, o avô e a avó, o gato, a gata e os sete gatinhos – a família Alegria. Cristina vai contando essa história com uma linguagem ao mesmo tempo simples, para alcançar os pequenos, e poética, para encantar os pequenos e os nem tanto.

“A coruja faz seu ninho no oco do toco”, escreve ela. E a gente se embrenha no oco do toco em busca da coruja. “O siri vive na areia e a aranha vive na teia”, continua, tecendo palavras que vão costurando a melodia.

Mas em meio a tanta casa cheia de gente e de bicho, eis que surge um personagem que difere de toda aquela alegria: Juca, que vive na rua. E por um breve momento, a alegria cede espaço à reflexão, mais sugerindo do que explicando. E as ilustrações de Carla Irusta acompanham muito bem essa troca de clima. Os tons leves e lúdicos que representam as diferentes moradas dão lugar ao tom noturno, quase opressivo, incômodo, porém sem perder o traço delicado de suas figuras.

Mas sem demora a família Alegria está de volta, agitando tudo à sua volta. E quando “a bola bateu no vaso. O vaso bateu no bule. O bule bateu na caneca de café. A caneca de café do vovô caiu. O bolo da vovó caiu também”, Nicholas exclamou: “Que bagunça! O que que faz?” Foi só virar a página para que ele descobrisse “o que que faz” com tanta bagunça. Quer saber também? Espia lá a Família Alegria.

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