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Beber cerveja é quase uma religião para muitos. Especialmente em se tratando de cerveja artesanal. Nos últimos anos cresceu muito o número de bares voltados à apreciação da bebida, bem como o de cervejeiros amadores, cuja produção é destinada ao consumo próprio e de amigos. Com isso, sair para beber uma simples “loira gelada” não traduz a verdadeira arte de se aventurar num desses templos sagrados da cerveja.

Pois na semana passada fomos conhecer um desses lugares que já ganhou fama por apresentar uma extensa carta de opções capaz de agradar a todos os gostos – eles dizem que são 230 rótulos distribuídos por mais de 30 estilos. Estou me referindo ao BeerJack Hideout, situado numa simpática casa em Botafogo decorada com referências aos bucaneiros que se reúnem para um bom trago.

Foto: site do BeerJack Hideout

Foto: site do BeerJack Hideout

Como estrela da casa, as garrafas de cerveja estão por todo canto. Há opção de chope também – no dia em que fomos eram três disponíves, também fugindo das marcas conhecidas – mas frente ao catálogo da casa, nào há como resistir a tantos rótulos, origens e sabores diferentes. Aliás, um bom tempo é gasto no processo de escolha, pelo menos para alguém que não seja especialista no assunto, como eu. O bom é que o cardápio traz informações preciosas para os indecisos: estilo da cerveja, teor alcoólico, volume da garrafa, composição e comidas que melhor harmonizam com o sabor.

Eu havia ido até lá determinada a experimentar a Rogue Mom, uma Hefeweizen que leva pétalas de rosa do Oregon, mas fui informada de que ela já está há um bom tempo em falta. Frustrada, aventurei-me, então, pelo cardápio a fim de fazer minha escolha. Minha dúvida rapidamente se dissipou quando bati os olhos numa Belgian Floris Apple, uma Wheat Fruit Beer com notas de maçãs verdes, adocicada – o que significa uma base de trigo e 30% de suco da fruta. Eu adoro tudo que tem sabor de maçã verde (até hoje lembro de uma saborosíssima água aromatizada com a fruta que bebi há anos na Escócia, e que virou minha bebida recorrente da viagem), então a escolha estava feita. O teor alcoólico baixo (3,6%) e a garrafinha de 330 ml também me conquistaram.

Havia também versões com sabor de morango e cereja, mas uma nova dúvida surgiu quando o garçom avisou que havia um lançamento que ainda não entrara no cardápio: a Belgian Floris Framboise. Quem acompanha este blog sabe que estou em um momento “frutas vermelhas”, então fiquei fortemente tentada a trocar minha de cerveja de maçã verde por uma de framboesas. Apesar disso, mantive minha escolha.

Belgian Floris Apple

Belgian Floris Apple

A certeza da minha escolha veio quando a garrafa foi aberta acompanhada de um breve comentário do garçom: “Prestem atenção ao aroma”. Naquele exato momento um delicioso aroma de maçã verde tomou conta da nossa mesa e, não duvido, das outras mesas também. Nunca provei uma cerveja frutada cujo aroma fosse tão intenso e tão delicioso. E o sabor? Exatamente o que poderia se esperar de algo que começou tão bem. Provavelmente dirão que é uma cerveja de “menina”, mas só sei que já se tornou uma das minhas preferidas.

O maridão escolheu algo mais forte, a Schneider Weisse TAP 4 Mein Grünes, uma Hefeweizen alemã que foi a primeira cerveja de trigo feita com matérias-primas exclusivamente orgânicas. Com teor alcoólico de 6,2% e garrafa de 500 ml, o paladar é levemente picante e cítrico, frutado.

Schneider Weisse TAP 4

Schneider Weisse TAP 4

Para acompanhar há algumas opções simples mas interessantes, como o tradicional bolinho de feijoada. Optamos por uma costelinha de porco confit servido com molho de especiarias. O tal molho de especiarias envolvia maçã e gengibre numa combinação que funcionou muito bem com a carne, e a porção veio num tamanho que satisfez e acompanhou muito bem a bebericagem.

Porção de costelinha de porco já faltando um pedaço

Porção de costelinha de porco já faltando um pedaço

Ao final, para fechar a noite, decidimos dividir mais uma. A escolhida foi a outra belga sugerida pelo garçom, a Floris Framboise, e, tal qual a de maçã, quando aberta liberou um aroma envolvente. O sabor perfeito da framboesa, levemente adocicado mas com um leve cítrico ao fundo. Todas as três estavam na faixa de R$29,00/39,00.

Ao ver a moça da mesa ao lado levando consigo suas garrafas vazias, me animei a também levar as nossas. O mais legal é que o próprio bar fornece a sacolinha para carregá-las.

Saldo da noite

Saldo da noite

Além de degustarmos ótimas cervejas, também curtimos o ambiente, cujo rock de fundo permanece a um volume perfeitamente compatível com as conversas do salão. Uma televisão passa ininterruptamente comerciais de cerveja, novos e antigos, do mundo todo. Uma ideia criativa e que combina com a proposta do lugar. Não é um lugar de azaração, balada, agito. É para quem quer apreciar boas cervejas e boas conversas. Só não consigo entender alguém que vai para um lugar como esse e pede uma cerveja “comercial” (como definiu o garçom) e, ao ouvir que a casa não trabalha com elas, resolve pedir apenas uma água com gás. Pois foi o que presenciei na mesa à minha frente.

Como diriam os alemães da minha terra: ” Ein prosit!”

Marido e sua "alemã"

Marido e sua “alemã”

BeerJack Hideout
Rua Martins Ferreira, 71 – Botafogo
http://www.beerjack.com.br